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Agressividade - Transtorno Explosivo Intermitente

Se você está lendo esse material deve ter tido algum problema em controlar a sua agressividade. E isso não que dizer que você necessariamente tenha feito isso de forma física ou violenta, mas pode ter sido de forma verbal acompanhado de gritos, e palavras agressivas, e isso tem relação com não controlar os seus impulsivos.

Para não usar linguagem técnica, os dois instintos primários do ser humano são: sexualidade e agressividade. E vamos conversar mais um pouco sobre a segunda. A agressividade é decorrente de uma necessidade genética de sobrevivência da espécie, que visa defender o organismo de ameaças de morte. Por isso ele é um impulso, algo que é praticamente autônomo e tem a função de defesa, tanto física como verbal, após o desenvolvimento da linguagem.


Esses comportamentos quando constantes na vida, devem ser submetidas a uma avaliação psicológica ou orientação de um profissional de psicologia. Esses episódios podem ocasionar diversos prejuízos na vida social com os pais, irmãos, cônjuges, na vida social com amigos e também profissionalmente.


Aprendendo mais sobre as emoções, podemos trabalhar esse tema de forma a conhecer mais sobre ele e fazer de algo impulsivo um comportamento mais racional e previsível em nossas vidas, aliás disso, esse comportamento ocorre em situações específicas. Na ameaça de morte a agressividade é algo inato, onde servirá de defesa, luta ou fuga e legalmente autodefesa; mas não estamos falando dessa forma de agressividade, essa é natural, é instinto de sobrevivência.


Esses comportamentos de raiva, ira, ou descontrole da agressividade com surto de gritos, ou episódios de agressividade a objetos, ocorrem em sua maior parte quando somos expostos a situações de ameaça de qualquer natureza, quando somos frustrados ou desafiados, e diante de uma situação de não aceitação de algo ou alguém.

Vamos compreender melhor sobre o comportamento de raiva e aprender algumas técnicas para controle da agressividade e equilíbrio emocional. Reuni aqui algumas técnicas de diversos autores e algumas observações profissionais.

(Jonathan F. Ponte)

O que é raiva?

A raiva é uma sensação composta de três componentes que interagem um com o outro (pensamento avaliativo, mudanças físicas e comportamento de raiva) que ocorre frente a um acontecimento desencadeador. Estes três componentes são capazes de influenciar um ao outro aumentando a intensidade da sensação. Pensamento avaliativo quer dizer o modo como interpretamos uma situação e acontecimento desencadeador se refere a algum evento externo, ou seja, uma provocação. Comportamento de raiva quer dizer o que a pessoa faz quando está na situação que lhe dá raiva.

Resumindo, o processo da raiva ocorre do seguinte modo:

Algo acontece na vida da pessoa:

1. ela interpreta o que ocorreu como uma afronta, ameaça ou injustiça pessoal (pensamento avaliativo) 2. o funcionamento do seu corpo sofre mudanças: o coração bate rápido, os músculos ficam tensos e há a sensação de sufoco; 3. o comportamento agressivo ocorre (ou raiva para dentro ou para fora)

(Fonte: IPCS)


Episódios de Raiva podem acontecer por conta do estresse também, pois o sujeito encontra-se em desequilíbrio físico e emocional e acabam ficando mais irritados e sem paciência. Inclusive privação de sono ou outras fontes de estresse podem interferir nos episódios de ira quando a causa é estresse e sobrecarga, ou pressão psicológica. (Jonathan F Ponte)


A característica essencial dos Transtornos de Controle dos Impulsos é o fracasso em resistir a um impulso ou tentação de executar um ato perigoso para a própria pessoa ou para outros. Na maioria dos transtornos descritos nesta seção, o indivíduo sente uma crescente tensão ou excitação antes de cometer o ato. Após cometê-lo, pode ou não haver arrependimento, ou sentimento de culpa. O Transtorno Explosivo Intermitente é um desses transtornos caracterizado por episódios distintos de fracasso em resistir a impulsos agressivos, resultando em sérias agressões ou destruição de propriedades. A característica essencial do Transtorno Explosivo Intermitente é a ocorrência de episódios definidos de fracasso em resistir a impulsos agressivos, acarretando sérios atos agressivos ou a destruição de propriedades (Critério A). O grau de agressividade expressada durante um episódio é amplamente desproporcional a qualquer provocação ou estressor psicossocial desencadeante (Critério B). Um diagnóstico de Transtorno Explosivo Intermitente somente é feito depois de descartados outros transtornos mentais que poderiam explicar os episódios de comportamento agressivo (por ex.,Transtorno da Personalidade Anti-Social, Transtorno da Personalidade Borderline, Transtorno Psicótico, Episódio Maníaco, Transtorno da Conduta ouTranstorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade) (Critério C).(Fonte: Psiquiweb -CID-10).


O Transtorno Explosivo Intermitente (TEI), é um comportamento agressivo, gerando acesso de fúria descontrolada, geralmente sem motivos aparentes, onde a pessoa perde o controle de seus impulsos violentos e pode agredir alguém através de palavras ou de forma física. Este descontrole também pode ser descarregado em animais ou objetos.


A síndrome é um tipo de Transtorno do Controle dos Impulsos (TCIs), cuja categoria ainda inclui piromania e cleptomania, por exemplo. Segundo a American Psychiatric Association (APA), um estudo realizado nos Estados Unidos dentro do período de um ano revelou que cerca de 2,7% da população geral possui o TEI. A pesquisa ainda apontou a predominância do transtorno na faixa etária entre 16-35 anos e com baixo nível de escolaridade. A prevalência da doença é nos homens. Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), para cada três homens, uma mulher sofre de TEI. No Brasil, o TEI atinge 3,1% da população.


São indivíduos que pela incapacidade de gerenciar seus impulsos agressivos, são levados a ter comportamentos agressivos, ataques de fúria, completamente desproporcionais. Qualquer que seja a natureza da agressão é comum o paciente sentir arrependimento, vergonha, culpa ou tristeza após a explosão. (Ref:. Juilana Sonsin – Televita).


A pessoa com esse transtorno não consegue controlar seus impulsos agressivos, suas frustrações e ira, podendo causar grandes prejuízos devido a uma situação que lhe causou provocação ou grande frustração diante das coisas.


Essa pessoa vive episódios frequentes de ataques de raiva sem medir as consequências de suas ações. Interpreta sempre tudo de forma negativa e extrema. Podendo, em alguns casos, ser interpretado de forma imaginária, (sentindo-se atacado em uma discussão ou reunião social, por exemplo, quando na verdade não aconteceu nenhum ataque, ou por ciúmes que imaginou). Logo, todos são os motivos que provocam um ataque de raiva intenso com muita agressividade e violência. (Fonte: Psicologia viva)

TESTE PSICOLÓGICO – SINTOMAS DA TEI

Critérios diagnósticos segundo o DSM-5

A - Explosões de raiva característica do TEI são classificadas em dois tipos: “leves” ou “severas”. As chamadas explosões “leves” são ameaças, xingamentos, ofensas, gestos obscenos, ataque de objetos e agressões físicas sem lesão corporal. Elas precisam ocorrer com uma frequência média de 2 vezes na semana por um período mínimo de 3 meses. As explosões mais severas são destruição de propriedade/patrimônio e ataques físicos com lesão corporal e precisam acontecer ao menos 3 episódios dentro do período de um ano.

B- A magnitude de agressividade expressa durante as explosões recorrentes é grosseiramente desproporcional em relação à provocação ou a quaisquer estressores psicossociais precipitantes.

C- Explosões de agressividade recorrente não são premeditadas (ou seja, são impulsivas e / ou decorrentes de raiva) e não têm por finalidade atingir algum objetivo tangível (por exemplo, dinheiro, poder, intimidação).

D- As explosões de agressividade recorrentes causam sofrimento acentuado ao indivíduo ou prejuízo no funcionamento profissional ou interpessoal ou estão associadas a consequências financeiras ou legais.

F- Os ataques agressivos não são devidos ao uso de substâncias (ex. álcool, drogas, medicamentos) e nem devido a qualquer outra condição psicológica (ex. transtorno depressivo maior, transtorno bipolar, transtorno psicótico, transtorno de personalidade antissocial, transtorno de personalidade borderline) ou médica (ex. traumatismo craniano, doença de Alzheimer)

RESPONDA AS PERGUNTAS ABAIXO PARA IDENTIFICAR:

Como sei identificar se tenho esse problema?

1 - Você explode pelo menos 2 vezes por semana?

2- Seus comportamentos agressivos são desproporcionais aos fatos que os geram?

3- Você NÃO costuma premeditar seus comportamentos agressivos?

4- Após as explosões você costuma sentir vergonha, culpa, arrependimentos, tristeza?

5- Você costuma jogar ou quebrar objetos independentemente de seu valor?

(Ref: Proamiti – DSM -V)


TÉCNICAS PARA CONTROLE DA AGRESSIVIDADE

1. Meditação e Relaxamento


A meditação mindfulness ou meditação de “atenção plena”, pode ajudar a controlar o estresse e prevenir episódios de ira através da prevenção e maior equilíbrio emocional e percepção do EU. Praticando cerca de 5 min. por dia.


2. Atividades físicas diminuem a agressividade


A prática de atividade física orientada, como musculação, artes maciais ou corrida, pode ajudar a diminuir o estresse, descarregar energia e diminuir assim a ocorrência de episódios de raiva por motivos psicobiológicos.


3. Três práticas contra a agressividade (Método Augusto Cury)

3.1. Pensar antes de agir e reagir:É nos primeiros trinta segundos do momento de tensão que o ser humano comete os maiores erros. Diante de uma situação de conflito, mantenha o silêncio e assim preserve a sua sabedoria, não ofereça respostas impensadas e controle a necessidade compulsiva de agir antes de pensar, essa atitude evita erros graves. O silêncio é o respeito pela própria inteligência.

3.2. Desenvolver sua autoestima:

A pessoa que desenvolve amor próprio torna-se mais segura, confiante e não permite que estímulos externos influencie a sua forma de pensar e seus comportamento. Essas pessoas não se deixam envolver com a opinião do outro sobre si pois sabe de seus potenciais, consegue exaltá-los e conhece suas limitações podendo trabalhá-las.

3.3. Proteger suas emoções:

Não exija demais dos outros, doa-se em esperar o retorno, compreenda que cada ser é único e age de forma diferente, e compreenda que por detrás de uma pessoa que fere há sempre uma pessoa ferida.

4. Técnica de autoafastamento

O principal autor da pesquisa e estudante de psicologia na Universidade Estadual de Ohio (EUA), e Brad Bushman professor de comunicação e psicologia na mesma universidade, conduziram o estudo ao lado de Ethan Kross, da Universidade de Michigan (EUA). A pesquisa foi publicada no periódico Journal of Experimental Social Psychology.

Mas o autoafastamento realmente funciona, mesmo logo após uma provocação – é um instrumento de intervenção poderoso que qualquer pessoa pode usar quando estiver com raiva”, comentou Mischkowski. “O segredo é não ficar imerso em sua própria raiva e, ao contrário, ter uma visão mais distanciada”.

Resumindo: quando você sentir raiva, tente fingir que você está vendo a cena à distância, que você é um observador, e não um participante da situação estressante. A ciência alerta: é o melhor jeito de se acalmar. No artigo original, os pesquisadores sugerem que você tente observar a situação de fora, como se você fosse uma “mosca na parede”. A ideia é analisar o problema a partir de uma perspectiva externa. Dessa forma, você não se torna refém da raiva e, ao mesmo tempo, consegue ter uma imagem mais completa da situação.

Referências: Dominik Mischkowski. Revistas - MedicalXpress,ScienceDaily,PsychCentral

5. Treino mental

Inclui identificar os gatilhos de sua raiva. Identificar a origem desta raiva. Identificar novas formas de perceber a situação, e por fim desenvolver novas atitudes de enfrentamento das adversidades da vida.

A melhor forma de controlar a raiva é não esperar até que algo o tire do sério, ou seja, prevenir, fazer algo para cessar o momento da raiva, fazer alguma coisa. Contar até dez, respirar fundo, tudo isso são formas de distração, são tentativas para mudar o foco mas não funcionam quando a pessoa tem um temperamento mais “esquentadinho” pois ninguém de cabeça quente lembra de contar nem respirar.

Há formas eficazes de controlar a raiva que implica em treino na mudança de padrão de pensamento, como por exemplo a conscientização de que seja possível que nem sempre o outro está errado ou que dois pontos de vista discordantes podem ser válidos ao mesmo tempo. Ou a conscientização de que por mais que estejamos certos não conseguimos bons resultados quando reagimos de forma explosiva.

(Fonte: Marisa de Abreu Alves Psicóloga CRP 06/29493)


6. Estratégias comportamentais para lidar com a raiva

1. Reconheça que está com raiva; 2. Aprenda a reconhecer os eventos desencadeadores da raiva em você; 3. Aprenda a reconhecer os 3 componentes da raiva: avaliação errada da situação, reações físicas e comportamento de raiva; 4. Entenda que algo só se torna um “evento desencadeador” (uma provocação) pela interpretação que você dá a ele; 5. Entenda que as reações físicas da raiva tem o poder de aumentá-la; 6. Compreenda que o comportamento de raiva é o último a ocorrer e que portanto dá tempo de controlar seu comportamento de raiva; 7. Sempre tente quebrar o processo de reação da raiva na sua fase inicial , isto é, verifique se o seu modo de avaliar a situação desencadeadora da raiva (aquilo que você acha uma provocação) pode ser mudado. Para tal mude o seu diálogo interno, o modo como fala consigo mesmo; 8. Quando perceber que a raiva está caminhando para as reações físicas , que seu coração já começou a bater muito rápido, que seu corpo e mente estão ficando tensos , que está desenvolvendo uma sensação de sufoco, tente relaxar para ver se elimina essas reações. Experimente dizer para si mesmo: “Posso assumir o controle das minhas emoções”. “Calma”, “Estou no controle”.

9. Ao mesmo tempo que vai dialogando consigo mesmo, respire profundamente pelo nariz e expire devagar pela boca; 10. Tente encontrar modos construtivos de uso da raiva, por exemplo, faça ginástica, caminhe, dance, cante, ria, seja positivo (a). 11. Quando já estiver em controle da sua raiva, tente resolver a situação que o fez ficar tão aborrecido.

(Fonte: Marilda Lipp – IPCS – TCCR - www.estresse.com.br)

REFERÊNCIAS

DSM-IV TR –Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. Trad. Dayse Batista – 4ª edição rev – Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.

CID – Organização Mundial da Saúde. Trad. Centro Colaborador da OMS para a Classificação de Doenças em Português. 9ª ed rev – São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2003.

LIPP, Marilda. O treino cognitivo de controle da raiva: o passo a passo do tratamento"). IPCS – TCCR.


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